Páginas

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Discípulo Radical

Para muitos, descobrir que, no Novo Testamento, os seguidores de Jesus Cristo são chamados de «cristãos» apenas três vezes, é uma grande surpresa.

A ocorrência mais significativa é o comentário de Lucas explicando que foi em Antioquia da Síria que os discípulos de Jesus foram chamados de «cristãos» pela primeira vez (Atos 11.26). Antioquia era conhecida como uma comunidade internacional. Consequentemente, a igreja também era uma comunidade internacional e seus membros eram adequadamente chamados de «cristãos» para indicar que as diferenças étnicas eram superadas por sua lealdade comum a Cristo.

As outras duas ocorrências da palavra «cristão» evidenciam que seu uso estava ficando mais comum. Assim, quando Paulo, que estava sendo julgado diante do rei Agripa, o desafiou diretamente, Agripa clamou: «Por pouco me persuades a me fazer cristão» (Atos 26.28).

Depois, o apóstolo Pedro, cuja primeira carta foi escrita em um contexto de perseguição crescente, achou necessário fazer a distinção entre aqueles que sofriam «como criminosos» e aqueles que sofriam «como cristãos» (1 Pedro 4.15-16), isto é, por pertencerem a Cristo. Ambas as palavras (cristão e discípulo) implicam relacionamento entre aluno e professor. Durante os três anos de ministério público, os doze foram discípulos antes de serem apóstolos e, como discípulos, estavam sobre a instrução de seu Mestre e Senhor.

Talvez, de alguma forma, deveríamos ter continuado a usar a palavra discípulo nos séculos seguintes , para que os cristãos fossem discípulos de Jesus de maneira consciente e levassem a sério a responsabilidade de estar «sob disciplina». O discipulado genuíno é um discipulado sincero!

Mas porquê Discípulo Radical? A palavra «radical» é derivada do latim radix, raiz. Também pode referir aqueles que tem opiniões vão as raízes e que são extremos em seu compromisso.

Por que então discípulo radical? A respostas é obvia! Existem diferentes níveis de comprometimento na comunidade cristã. O próprio Jesus ilustra isso ao explicar o que aconteceu com as sementes que descreve na Parábola do Semeador. A diferença entre as sementes está no tipo de solo que as recebeu. A respeito da semente semeada em solo rochoso, Jesus diz: «não tinha raiz».

Geralmente evitamos o discipulado radical sendo seletivos: escolhemos as áreas nas quais o compromisso nos convém e ficamos distantes daquelas nas quais nosso envolvimento nos custará muito. Porém, por Jesus ser Senhor, não temos o direito de escolher as áreas nas quais nos submetemos à autoridade.

Assim consideraremos neste mês algumas características do discipulado cristão apresentadas no livro «O Discípulo Radical» de Jonh Stott que apesar de serem frequentemente negligenciadas, merecem ser levadas a sério!

Texto adaptado do Prefácio do Livro

O Discípulo Radical de Jonh Stott